01/04/2024
MODA

 

A importância da inclusão na moda


Por: Gustavo Pereira gustavo.pereira@diariopopular.com.br Conforto. É prioridade que nenhum detalhe do tecido incomode (Foto: Divulgação - DP) Conforto. É prioridade que nenhum detalhe do tecido incomode (Foto: Divulgação - DP) Diferencial. Há modelos de etiqueta em braille e QR Code tátil, para descrever informações da peça (Foto: Divulgação - DP) Diferencial. Há modelos de etiqueta em braille e QR Code tátil, para descrever informações da peça (Foto: Divulgação - DP) Os últimos dados oficiais são de 2010, mas ainda assim dão uma ideia sobre a proporção de pessoas com deficiência na população. Conforme o Censo do IBGE, são 24% dos brasileiros. No entanto, não existe uma equiparação nesse percentual quando o assunto envolve a acessibilidade à moda. Foi essa preocupação com a representatividade que motivou a pelotense Ana Carolina Andrade a inovar e criar uma confecção voltada a atender mulheres de diferentes perfis corporais. Nascida e criada no Beco da Cohab II, a empresária hoje mora em São Paulo e é cofundadora da Amar.te. A empresa trabalha com peças inclusivas e humanizadas, valorizando os princípios do conceito de moda inclusiva. O público-alvo da marca engloba mulheres cis, trans, grandes, pequenas, com deficiência e com mobilidade reduzida. Segundo Ana Carolina, a partir da próxima coleção a intenção é também atender pessoas com nanismo. “Falar sobre moda inclusiva é dar visibilidade a corpos invisíveis na moda”, diz trecho de material da iniciativa que serve como espécie de “manifesto” sobre o tema. A ideia é que as roupas sejam confortáveis ao sentar ou permanecer sentada, sem que qualquer detalhe do tecido incomode cadeirantes, por exemplo. O fechamento também conta com adaptações para facilitar o manuseio, com ímãs ou zíperes com cursores maiores. A Amar.te também traz etiquetas com QR Code tátil, que descreve cores e demais informações da peça. Há ainda modelos de etiqueta em braille como complemento de acessibilidade a deficientes visuais. Liberdade e empoderamento Dois dos pilares da moda inclusiva são liberdade e empoderamento para mulheres historicamente deixadas de lado devido ao padrão seguido pela indústria do ramo. A preocupação da proposta criada pela empresária pelotense inclui também as redes sociais com acessibilidade, a partir de práticas como a descrição detalhada das peças, o oferecimento de um leitor de telas e lupas para aumentar a fonte e legendas nos vídeos. O projeto se define como uma confecção que entrega acolhimento e apoio, com respeito e estímulo à autoestima, autoconfiança e autonomia das mulheres atendidas. “A deficiência permeia a vida das pessoas, se não de forma permanente, muitas vezes temporária. Quando comecei, sempre busquei roupas que não machucassem mulheres cadeirantes, buscava roupas que não fossem para um público segmentado como o plus size, e sim roupas all size, além de me preocupar se a roupa era fácil de vestir e despir. Quanto mais eu pensava nisso, mais difícil era encontrar roupas que atendessem minhas exigências”, explica Ana Carolina. Então, conforme a empresária, surgiu a ideia de conversar com pessoas que sofrem desse problema para identificar as principais demandas. A consequência foi a criação da marca. “Nunca foi sobre roupas, mas sim sobre pessoas”, completa. Confecção “slow fashion” O processo usado consiste em um contraponto ao conceito de “fast fashion”, que prioriza a fabricação em massa. “A oferta constante de produtos de qualidade inferior, tendências de rápida mutação incentivadas pelo capitalismo, fomenta o consumo impulsivo por conta dos preços baixos”, argumenta a criadora. Ana Carolina defende o “slow fashion”, prezando a diversidade e valorização de todo o processo produtivo, desde a matéria-prima até a comercialização, criando produtos e vivências duráveis e autênticas. Trata-se de uma alternativa que, segundo a empresária, promove maior liberdade na escolha das peças e incentiva trabalhadores locais, consumindo menos recursos e evitando o descarte rápido das roupas. Conheça a Amar.te Após a pandemia, a ideia da empreendedora pelotense é rodar o Brasil em feiras e eventos para mostrar que a inclusão na moda “não é difícil”. Até lá, a empresa segue vendendo por meio do site e de redes sociais. No Instagram, a página é @amar.tebrand. O site é amartebrand.com.

 

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